domingo, 1 de maio de 2011

Mais um...

Não sei o que dizer sobre esse poema nada além de que é mais tradicional do que os outros. E tendo em vista que só to postando poema nesse treco, acho que terei que mudar o nome do blog.




É cercear a sereia
E já não se tem
Nem peixe, nem fêmea
Nem efêmera alma
Que valha o talho da navalha
Mas cútis e escamas
A separar-lha as vísceras
Do ferir pertinaz de tuas presas
Que roerão ossos e cartilagens
E ao tutano mascarão

E de chupar as falanges
Sentarás preguiçosamente à sombra
Recordando o canto enebriante
Enclaveado de dor e desatino
E quando do bater da onda
Ao largar a espinha
Com que outrora palitavas

Percebes-te
 faminto.

sábado, 23 de abril de 2011

Esse é meio antigo...

Escrevi esse poema faz um certo tempo, mas sempre tive dúvidas sobre ele [na verdade eu ainda tenho]. Resolvi postar ainda assim. Como ele tem dois caracteres japoneses, vou colocar a transcrição pro nosso alfabeto entre colchetes abaixo, e umas notas no final, explicando alguns aspectos destes signos:

sigo cego o ego
 
 [naka]
alma
vorácida

ecôo
de não
soar


igarapéio
a
alma-só
[no]
almaço

igaritéio-me
a
mão
tremulancinante
e
de
trans
(mutar)
pirar


desá[r]guo






= "naka"; quer dizer lado de dentro, seja de objetos, lugares ou pessoas. Também é usado para se referir a sentimentos
= "no"; é uma partícula de ligação. subordina o segundo termo ao primeiro. ex: "watashi no enpitsu" = "meu lapis".

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Um Haikai...

Pra quem não sabe, haikai é uma forma de poema que surgiu no japão, por volta do séc. XVII. O haikai original é consiso, mas ao mesmo tempo cósmico, e tende à objetividade. Sua forma padrão é constituida de apenas três versos, o primeiro e o terceiro com 5 sílabas poéticas e o segundo com 7. Frequentemente os haikais japoneses falavam da natureza.
O ocidente no entanto, tratou de adequar estas formas segundo as suas concepções de poesia, transformando-o de forma considerável. Em língua portuguesa temos alguns grandes haijins, dentre os quais eu destacaria Guilherme de Almeida e Paulo Leminski.
Sem muito mais delongas, abaixo segue um haikai de minha autoria. Alguns podem notar que o primeiro verso tem mais de 5 sílabas poéticas, mas era o próprio Matsuo Basho, ninguem menos que o principal haijin da história da literatura japonesa, que dizia que os haikais mais especiais eram os que fugiam à métrica, pois estes transcendiam a forma e alcançavam a essência sem passar pela consciência. Não que o meu haikai seja necessariamente um desses, mas até que ele não é ruim. Vejam aí:

"Ao despir do corpo a lama,
Noto-a menos que a imagem que sou
Mas imagem que soou"


quem conhece Chico Science & Nação Zumbi notará uma certa intertextualidade do haikai com a música "corpo de lama". Pra quem não conhece, postarei aqui:

http://www.youtube.com/watch?v=gY01-aAz6mM

terça-feira, 29 de março de 2011

Poetice Pretenciosa

Outro poema que fiz, sendo que esse é o primeiro poema que faço em homenagem a alguem. Confiram aew:


maracadê-elessetu
                                ao chico science


desse chapéu de palha
escorreu
             lama sulfúrica
derrubando
                 a vela
de meu cocuruto
e derretendo-me o exoesqueleto

deposto o involucrocasulo       
                                           
                                                                                     evoluo
  de banhar
  as carnes no mangue


     até que novamente
   encroste

    
 sararei?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Isso ia ser um post sobre o Gary, que Mooreu.

Mas descobri que não tenho muita coisa pra dizer além de "oh, Gzuiz ele mohrrel, oh que faremos sem ele?!?!", então se alguem quiser, eu toco still got the blues e posto aqui como uma homenagem singela depois [com chance de sair uma catástrofe, claro...]. Enfim, resolvi postar uma produção minha, gostei desse poeminha que fiz quando tava brisando no escritório. Me digam o que acharam [se é que alguém lê isso aqui]:

ex
pec
t[o]ro
(o)
enigma

vôo-mito
que antes ânsia
de ser-se
ruminava
a sarça inflamada


                                                                                      Pedro Nascimento

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Cozinha Esquisita ou Este Não É um Post Sobre o Prédio que Caiu.

Deixo claro desde já que não achei graça quando o prédio desabou. Acima de todos os pormenores e encheções de lingüiça que estamos testemunhando, existem pessoas que precisam de assistência, ou pelo menos de dignidade. Mas também é verdade que eu sou um grande conformista fdp, então caso exista algo que eu possa fazer por elas, provavelmente não farei.

Desastres à parte, o que eu queria mesmo era falar sobre uma das bandas que mais tenho ouvido atualmente. Elogiada como uma das bandas mais criativas da atualidade, eles ainda conseguem surprender no quesito sensatez e humor ácido.
Acho que a última vez que tinha me surpreendido a cada segundo de música, foi ao ouvir o album Shut up 'n Play Yer Guitar do Frank Zappa [leia-se: Deus], isso quando eu tinha lá os meus 11 anos. Jamais achei que isso aconteceria de novo até ouvir, em 2005, o album Dead Soul Men, do Freak Kitchen. Sabe, não é a toa que a banda, ainda que gracejando, definiu o album como "heavy-pop-rock-latin-world-jazz-avant-garde-metal-blues-record straight from hell!!!". Na boa, o album é tudo isso e muito mais.
Na época eu tinha lá os meus 15 anos e não sabia pq, mas sabia que o que eu tinha no meu mp3 player [não é o tipo de album que se encontra pra comprar por aí na minha cidade] era no mínimo genial. O que eu não imaginava era que este era um dos albuns mais originais dos últimos 20 anos, no mínimo.
Claro que eu viciei na banda na época, e foi aí que eu descobri outras maravilhas como o Appetizer e o Move, e pouco mais tarde, naquele ano, pude testemunhar o nascimento do album Organic. Todos esses são excelentes , mas nenhum tão bom quanto o DSM.

Em um dado momento porém, eu não sei explicar pq, mas eu parei de ouví-los. Acho que foi pq entrei numa fase meio dark-d00m-black-ogre-viking-splatter-gore-br00tal-from-hell-soldier-of-darknessfall-galinha-preta-e-dendê, em que eu só ouvia coisas como Sisters of Mercy, Lacrimosa e St. Vitus. [tá, eu ainda ouço, mas não sou mais trevoso.]
De lá pra cá nunca mais tinha parado pra escutar a banda, até que do nada me veio a música ugly side of me na cabeça. Baixei o album de novo e o escutei novamente. Não tenho palavras pra descrever tal sensação, foi algo no mínimo arrebatador. Parece que tudo o que eu tinha ouvido há uns 6 anos atrás voltou potencializado, como se tudo o que eu estivesse ouvindo até reescutar esse album não fosse suficiente pra preencher o vazio que ele me deixou, apesar de eu não ter consciência disso.
Engraçado é que, melhor do que o Shut Up do Zappa ele não é, mas ele tem sido muito mais impactante na minha vida musical, pelo simples fato de me tirar do automatismo ao qual nós, músicos e aspirantes, muitas vezes estamos fadados.
O resultado disso é que tenho procurado outros albuns que possam provocar esse efeito em mim e os tenho descoberto nas mais diferentes formas de música. Posso citar o In Rainbows do Radiohead, o Racional vol 2 do Tim Maia, o Black Holes & Revelations do Muse, o Vulgar Display of Power do Pantera, o Mother do Luna Sea, entre muitos outros. Acho que vai demorar pra aparecer outro album que tenha contribuido tanto pra minha formação musical quanto esse. Mas quando aparecer, espero não estar pronto, pra ser surpreendido novamente.


Depois de tanto falatório deixo-os com o download, pra quem quiser conhecer a banda:

http://www.easy-share.com/1913727497/Dead Soul Men.rar

domingo, 30 de janeiro de 2011

Santo ócio, pra que outro Blog, Batman?

Por isso mesmo.

Não é que eu não tenha nada pra fazer. É que eu não to afim de fazer nada dessa lista, então resolvi criar esse blog, que não tem nada de útil e nem precisa, já que ninguém teve que cortar uma árvore pra que ele existisse. Vou postar aqui cada fagulha de inutilidade que ousar reluzir na minha mente insana em momentos em que isso seja viável, ou seja, este pode muito bem ser o último post desse blog, considerando também que tenho memória de peixe esclerosado.
A ideia é falar de música de verdade, poesia de verdade, filmes de verdade, anti-reflexões, além de outros temas sociopatas. E não, eu realmente não me importo se vc não concorda com o meu ponto de vista.
Não excluo deste as funções de inflamar meu ego e ocupar meu tempo livre de forma improdutiva, mas creio que tais funções já sejam subentendidas de qualquer blog despropositado como este.
A quem ele é destinado? A qualquer um que tenha um certo interesse por escatologia, música, cinema, sarcasmo, sadismo, poesia, humor negro e derivados. Tudo isso regado a uma quantidade bem considerável de cropoglósia natural de minha parte. No mais, é isso. Mas tarde vejo se faço um post decente, um tanto menos metalinguístico. Talvez não faça, enfim.



A verdade é que eu não espero absolutamente nada de quem quer que esteja lendo esse post, sendo assim, não posso dizer nada superlegal do tipo "espero que gostem=)", então vou terminar com um simples: "espero que saibam ler".